Há um passo perto do fim da linha que um consultor sugeriu, uma vez, que automatizássemos. Recusámos. É a borda — o chanfro e o polimento que correm o perímetro de cada espelho — e termina-se à mão porque a mão repara em coisas que uma máquina não.
Uma borda de vidro acabada de sair da mesa de corte é afiada e ligeiramente irregular. As máquinas conseguem alisá-la em massa e, nas bordas escondidas, deixamo-las trabalhar. Mas uma borda visível, aquela que apanha um traço de luz num espelho sem moldura, é a diferença entre um produto que parece pensado e um que parece cortado. Por isso um operador trabalha-a, confere-a contra a luz e volta a trabalhá-la.
A mão repara em coisas que uma máquina não.
On the Floor
É mais lento. É também a razão pela qual os clientes correm o polegar pela borda de uma amostra e decidem, sem saberem bem porquê, que é aquele espelho.


